O sistema político israelense e' parlamentar e elaborado de forma tal a permitir a
representação mais ampla possível de facções políticas no "Knesset". E'
importante ressaltar que o sistema representativo proporcional tem sido
resguardado desde a criação do Estado em 1948 e e' um dos pilares mestres da
democracia de Israel. O sistema, porem, esta' longe de ser perfeito.

Atualmente em sua 17a. gestão, o Knesset e' composto por 120 membros,
simbolizando as 12 tribos do povo israelita. As fileiras de poltronas dispostas
no plenário guardam o formato de um candelabro de oito hastes - o símbolo
oficial do pais - com uma haste central utilizada na pratica para acender as
velas, e o mural que envolve o podium do dirigente do parlamento e seus
auxiliares e' esculpido em pedra bruta, simbolizando as paredes sagradas dos
dois templos religiosos destruídos no decorrer de dois mil anos pelos inimigos
de Israel.

A constituição do atual governo parece ter sido, se não a mais dramática, uma
das mais complexas dentre os governos anteriores, com exceção da convulsão
nacional gerada pelo assassinato do então primeiro-ministro Itzak Rabin há dez
anos atrás.

Os fatos que levaram `a eleição do atual primeiro-ministro Ehud Olmert foram
desencadeadas em setembro de 2005, com a renuncia do então ministro das
financas Beniamin Nataniahu. Na epoca, Nataniahu se rebelou contra a decisao
de Ariel Sharon de desocupar as colônias israelenses em Gaza, atraindo `a sua
volta vários dissidentes, membros do partido Likud entao no poder. As
pressões e a insurreição dos adeptos de Nataniahu provocaram em pouco
tempo a decisão de Sharon de abandonar o partido e formar um novo, o
"Kadima", de tendência centrista. A esse novo partido filiaram-se vários dos
políticos do Likud, entre eles Ehud Olmert, vice-primeiro-ministro empossado.

Enquanto o Likud mergulhava em crise de enormes proporções, paralelamante
enfrentava o partido Trabalhista sua própria batalha diretiva, com a disputa
entre o conhecido líder Shimon Peres e o ex-lider do poderoso Sindicato Geral
dos Trabalhadores, Amir Peretz. Por fim, este ultimo elegeu-se novo líder e
Shimon Peres aliou-se a Ariel Sharon em seu novo partido, que passou a
abrigar em suas fileiras nomes de projeção nacional, importantes ex-membros
do Likud e dos Trabalhistas, expoentes militares e diversas figuras
intelectuais.e acadêmicas.

Foi no ápice da formação do "Kadima" que Ariel Sharon se viu subitamente
acometido por um derrame cerebral em Janeiro de 2006, permanecendo
hospitalizado e inconsciente desde então. Com isso, a direção do novo partido
foi transmitido a Olmert. Nas eleições de Março deste ano, o "Kadima" captou
29 das cadeiras parlamentares, formando uma colisão com os trabalhistas e
outros partidos menores, garantindo a nomeação de Olmert como
primeiro-ministro e a conservação de uma maioria de 68 membros no
parlamento. O novo governo, que foi ativado em inicio de Maio de 2006, , tem `a
sua frente a complicada tarefa de aprovação do orçamento nacional, que
ironicamente foi preparado por Beniamin Nataniahu, o anterior ministro das
finanças.

Muitas divergências ja' começaram a surgir em tôrno do orçamento,
principalmente por exigências de vários proceres em resguardar um
determinado nível no setor de serviços públicos e assistenciais, o que foi
abalado com a decisão do primeiro-ministro autorizando o aumento do preço
do pão.

Se de um lado o sistema político protege o balanceamento das forças
partidárias, de outro ele ocasiona não poucas discrepâncias no plano
ministerial. Como resultado, Ehud Olmert se viu em estado de total perplexidade
ao ter de assumir o governo; o novo ministro das finanças não tem
antecedentes na área econômica, mas e' assessor de confiança de Olmert; Amir
Peretz (líder dos Trabalhistas) foi apontado Ministro da Defesa, mas sempre foi
líder de massas populares e não tem afinidade alguma com assuntos militares,
e assim vários outros ministros que foram comissionados não pela sua
formação profissional mas pela imposição da aliança política. Isso sem falar nos
milhões de dólares reservados aos partidos religiosos, exigidos por estes para
a área ortodoxa em troca de apoio ao novo governo.

Os eleitores, que em Israel são esclarecidos em níveis acima da media, se vêem
num dilema, pois o partido que apóiam nem sempre tem condições de
resguardar sua plataforma política, em função das concessões e barganhas
governamentais. Como resultado, grande numero de israelense não vão `as
urnas, pois o voto não e' obrigatório. E a unidade do governo como fica? Pelo
fato de não ser controlado por um partido majoritario ( o que exige pelo menos
61 membros eleitos de um mesmo partido) e apoiado fragilmente nas coalisões,
estas fatalmente se desintegram por motivos de incompatibilidade e jôgo de
interesses.

O atual governo ja' começou com o pé esquerdo, aumentando o preço do pão e
enfrentando desentendimentos sobre o novo orçamento nacional. Em breve,
estarão na pauta dos trabalhos os assuntos realmente "pesados", como a
evacuação de novas zonas em favor dos palestinos, os contatos, ou não, com
o partido terrorista "Hamas" atualmente no poder em Gaza, as delicadas
condições sociais, de ensino, assistência medica, desemprego, aumento da
criminalidade, sem citar o incremento da corrupção, trafico de mulheres do
exterior, crime organizado, falcatruas bancarias, apadrinhamento em cargos
públicos, etc.etc., o que vem demonstrar que Israel simplesmente não difere em
muito do resto das nações.



                                                              O GOVERNO EMPOSSADO EM 2009
                                                                           
O NOVO GOVERNO ISRAELENSE - MAIO DE 2006©
(por Salo Yakir )